Ao final da primeira reunião com produtores rurais, no Sindicato de Dom Pedrito, tínhamos chegado a um resultado de entusiasmar: dos 15 produtores presentes, 11 tinham aderido ao nosso programa de 6 meses, visando o desenvolvimento da Qualidade Total no Campo.

Detalhe importante: comprometendo-se a pagar uma parte dos custos, algo muito difícil de se conseguir na época.

Estávamos no início dos anos 90, o Comitê Setorial de Pecuária de Corte tinha sido constituído há poucos meses.

O resultado da reunião tinha tido, além da enorme credibilidade do presidente, outros fatores que explicavam o sucesso alcançado:

  • Os participantes não tinham sido buscados em uma palestra de sensibilização, ou por telemarketing. Tinham sido cuidadosamente selecionados, pelos organizadores, pelo fato de terem grande potencial de aplicação, imediata, das ferramentas que nos propúnhamos a utilizar. Nossa tarrafa era pequena, precisávamos atirá-la sobre o cardume!
  • Eram proprietários de áreas de diversos tamanhos, atividades diferentes, que tinham em comum:
    • uma boa formação técnica;
    • a vontade de aprender;
    • distâncias razoáveis da sede do município;
    • o hábito de contratar assessorias;
    • utilizar contabilidade de certo nível, e outras…

Além de todos serem

    • capitalizados, ou seja, não estavam sob pressão financeira decorrente de maus resultados.

Enfim: tinham negócios lucrativos, e queriam melhorar.

  • Nosso pessoal já tinha experiência com consultoria compartilhada, na região. Nesse tipo de intervenção se reduziam os custos de treinamentos, fazendo-os em conjunto, deixando o detalhamento das atividades para as visitas aos locais de produção.
  • Tínhamos aprendido, num benchmarking feito com apoio da Sadia, com criadores de suínos, em Santa Catarina, que era fundamental iniciar o trabalho revendo o orçamento de cada propriedade.
  • O trabalho seria desenvolvido por dois escritórios técnicos locais, cujos titulares tinham grande credibilidade na região. Tanto Francisco como Felimar tinham participado de um programa de treinamento cujo auge tinha sido uma semana de benchmarking na Sadia, em Chapecó.

A receita básica consistia em aplicar o “SS” – SOL NO CAMPO – e introduzir ferramentas como padronização, solução de problemas e itens de controle, com as quais tínhamos alcançado bons resultados em pequenas empresas comerciais na região. Isso tudo, é claro depois de ter conferido o orçamento dos estabelecimentos.

Depois de 6 meses, encerrando a programação, foi feita uma apresentação de resultados para o Sindicato Rural.

Os resultados foram surpreendentes, em muitos aspectos:

  • dos 11 proprietários que aderiram ao projeto, 10 chegaram ao final dos trabalhos (apenas uma desistência);
  • nada menos do que quatro propriedades estavam tendo prejuízo operacional — e não sabiam!
  • oito dos participantes tiveram efetivo ganho financeiro com o programa, mas a contribuição do 5S e das demais ferramentas aplicadas tinha sido irrelevante;
  • o grande fator de ganho foram modificações feitas nas técnicas de produção — alteração de manejo, no processo nutritivo, reforço na terminação, e assim por diante — recomendadas pelos nossos consultores.

Explica-se: Francisco e Felimar já conheciam a maioria das propriedades e, em muitos casos, já tinham sugerido as modificações que agora deram resultado.

Em oportunidades anteriores, não tinham sido ouvidos. Agora, investindo um bom tempo na organização dos fatores de lucros e perdas de cada propriedade, a argumentação técnica ganhou um peso decisivo.

 

Naquele episódio entendemos, pela primeira vez, os enormes ganhos que as técnicas da gestão pela qualidade podem trazer,

quando focam a potencialização do uso do conhecimento da tecnologia do negócio.