A técnica que aplicamos em Dom Pedrito surgiu em consequência do nosso aprendizado na prática da divulgação da mensagem da qualidade total.

Logo após definida a missão do PGQP – Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade — foi estabelecida a diretriz de buscarmos apoiar, com maior ênfase, as áreas de Educação e o Setor Primário do Estado.

Começamos a buscar uma liderança competente e limpa (com baixa rejeição política) na área da agricultura.

Em poucas semanas tínhamos identificado o produtor Walter José Pöttert, renomado criador de gado e produtor de arroz, em Dom Pedrito.

Com ele decidimos mudar o enfoque tradicional, de abordar toda a cadeia da carne, pois já havia muitos projetos (e pouca realização) como resultado deste tratamento mais amplo.

Foi assim criado um Comitê Setorial da Pecuária de Corte, em cuja estruturação o Walter se engajou, com grande entusiasmo e competência.

Era a abordagem prática, recomendada pelos mestres do TQC: faz um pedaço pequeno, mas faz logo! Os resultados farão o bolo crescer.

Uma figura que então se desenhava para explicar esta abordagem era a que reproduzimos na figura 1.4. O triângulo maior representa o Brasil, o pretinho, em cima, o bigode do Sarney…

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“Se o Brasil não começa com a Qualidade Total; quem sabe, a indústria? Mas, se nesta, também, não for viável, talvez, me nossa empresa? E se na nossa empresa não for possível, …. e assim íamos desenhando triângulos cada vez menores até concluir…

neste caso, eu começo na minha casa!”

Uma das iniciativas do Comitê da Pecuária foi treinar 20 facilitadores em TQC. Na maioria, foram convidados técnicos que já assessoravam produtores rurais, nas lidas do campo, e que, portanto, conheciam a melhor forma de abordá-los.

Eles foram treinados em conceitos e algumas ferramentas básicas da qualidade, e partiram para uma semana de prática no programa de extensão que a Sadia realizava com seus fornecedores de suínos, na área de Chapecó, SC.

O modelo que eles usavam, o tinham aprendido na Nova Zelândia, e tinha como fundamento ensinar preceitos técnicos corretos, a partir da motivação por resultados.

Funcionava assim:

  • o extensionista chamava, além do produtor, sempre pelo menos mais um membro da família (geralmente a esposa tinha boas aptidões para o assunto);
  • logo de início, montavam um orçamento Dismac da propriedade. O nome foi dado porque não se podia usar nada mais sofisticado do que uma calculadorazinha bem simples;
  • ao fazer os cálculos do ganho do produtor, ficava claro que o indicador terminado/porca/ano (quantos porquinhos cada matriz gerava anualmente) tinha enorme influência no resultado;
  • O extensionista buscava referências de outras propriedades vizinhas, mostrando que era o cabeça e quem era o cola (rabo) da região

Crescia o olho do produtor. Como ganharia se, em vez de 11, o indicador fosse 18!

Como chegar lá? Algumas espinhas de peixe, eventualmente paretos, e um planinho de ação, tipo 5w1h, que ficava preso por um prego, na pocilga, escrito com a letra de um dos membros da família…

5w1h trazia o conhecimento, que levava ao resultado. Ele poderia ter sido trazido pelo extensionista, num folheto impresso, colorido: teria sido muito mais rápido.

Mas era o processo japonês, mais demorado, que fazia com que as dicas e receitas fossem compreendidas, aceitas, e transformadas em ação – todas as horas, todos os dias, dali por diante.

A causa do resultado foi a aplicação da tecnologia correta. O conhecimento sempre estivera disponível. A gestão foi o instrumento para transformar o conhecimento em resultado!

A propósito: tiramos partido deste ensinamento, e usamos técnica semelhante para desenvolver pequenos sucateiros no Rio Grande do Sul, fornecedores do Grupo Gerdau.

Benchmarking eficaz, embora porquinho tenha pouco a ver com ferro velho…

 

O conhecimento sempre estivera disponível; as técnicas de gestão apenas removeram os obstáculos que impediam a sua aplicação!