No início do século 19 os Estados Unidos estavam em plena guerra de independência.

Como sabemos, lá foi bem mais complicado do que por aqui, alguns anos depois: A Inglaterra esperneou, não queria perder sua colônia.

Entre muitos outros episódios, há o da batalha do rio Thames, na península de Niágara, em 1813.

O shawnee Tecumseh (Meteoro) foi praticamente o último grande líder indígena norte-americano. Ele se apercebeu de que o seu povo iria perder seus campos de caça com a vitória dos colonos, e tratou de se unir aos ingleses.

Viajou até a Flórida, na tentativa de formar uma Confederação Indígena; a guerra entre brancos era uma rara oportunidade, que ele não poderia desperdiçar. Conseguiu, pela última vez, reunir um exército de 1.200 indígenas, que acompanhavam as tropas inglesas em sua fuga para o norte, perseguidas pelos colonos separatistas.

Como as tropas inimigas eram muito mais numerosas e mais bem armadas, Tecumseh só teria sucesso se as desgastasse em emboscadas.

Assim, ele posicionou seus bravos junto ao pântano de Thames, e ficou esperando as tropas de Richard Johnson, antes que estas se defrontassem com o combalido exército inglês do general Proctor.

No momento em que os inimigos chegavam se formou uma tremenda cerração em torno do pântano.

Os shawnees não podiam lançar suas flechas, nem disparar os seus poucos mosquetes, se não tinham como fazer pontaria – nem saber se tinham, ou não acertado.

Vamos supor que, mesmo assim, eles tivessem atirado suas flechas sobre a nuvem que cobria o pântano. Tinham investido nelas, apostaram tudo nelas: as gastariam, e não atingiriam o alvo.

Os ingleses e os índios foram trucidados. Foi o último campo de batalha de Tecumseh.

É útil relembrar este fato histórico quando se discute investimento em marketing.

Quanto eu posso / devo investir, quando deflagro uma campanha?

É uma decisão muito difícil de ser tomada. As agências vendem muito bem o seu peixe. Há os otimistas, há os pessimistas…

Se gasta muito na campanha, mas se investe pouco em pesquisa, antes e depois da mesma.

Antes, para saber onde atirar; depois, para saber se acertamos.

E o pessoal acaba disparando suas flechas, sem enxergar onde estão atirando, e sem saber, depois, se acertaram…

A pergunta que precisa ser feita é:

quanto vale investir, em pesquisa, para saber para onde devo direcionar minhas flechas… e depois, quanto vale investir, para saber se acertei?

É um dilema clássico de gestão do conhecimento.

Perguntado, o pessoal de marketing afirma estar disposto a investir de 10 a 30% do valor da campanha na pontaria.

Se efetivamente investissem esta importância na pontaria, certamente a relação custo/benefício das verbas de marketing seria muito melhor do que é nos dias de hoje…

Situação análoga ocorre sempre que estamos organizando um plano de ação, principalmente se vinculado a eventos do ciclo de planejamento estratégico da empresa.

A pergunta que temos feito é

quanto vale gastar, em homens hora, para planejarem relação aos hh que vamos gastar, posteriormente, executando o que foi planejado?

Colocada esta pergunta antes de iniciar a montagem dos planos, o pessoal normalmente responde valores que vão de 5 a 40%…

De posse desta estimativa, pedimos que as pessoas definissem os seguintes números:

(se você puder, mentalize um caso real e vá colocando seus valores. Vale à pena!)

a) Quantas pessoas serão envolvidas na execução do que foi planejado?

Típico: 6    Seu caso: a= ………….

b) Quanto % do seu tempo estas pessoas podem se afastar da rotina, por semana, para se dedicar à execução de atividades de melhoria planejadas?

Típico (real, não desejo!): 10%   Seu caso: b= ………..

c) Quantas horas estas pessoas trabalham, por mês?

Típico : 200   Seu caso: c= ………..

d) Quantos meses elas trabalham, por ano?

Típico: 11       Seu caso: d=………..

e) quantos hh deveriam ser dedicados ao planejamento, em percentagem do número de hh que serão demandados, depois, pela execução dos planos?

Típico: 15%     Seu caso: e= ……………..

f) quantas pessoas serão envolvidas na formulação do planejamento, até estarem concluídos os cronogramas detalhados?

Típico:  4         Seu caso: f=………

g) Quantos dias úteis teremos entre o dia em que começaremos a trabalhar no plano e data que temos para apresentá-lo à diretoria?

Típico: 10 dias   Seu caso g=

Agora, feche as contas.

O plano consumirá, quando for executado,

h= 0,01 x a x b x c x d homens hora

Típico: 0,01 x 6 x 10 x 200 x 11 = 1.320 hh

Seu caso:

h=              x    x     x        x     =         hh

O número de horas que cada um dos integrantes da equipe de planejamento precisará gastar, por dia útil, durante a execução do plano, será de

0,01 x ( h x e ) / ( f x g )

Típico:      0,01 ( 1.320 x 15 ) / ( 4 x 10 ) = 4,95

Seu caso:         (           x     ) / (    x     )  =

Ou seja, para fazer um bom plano, cada pessoa deveria gastar 5 horas, por dia, durante os 10 dias úteis que restam até a data marcada para a apresentação — o que é absolutamente impensável!

Este exercício serve para mostrar que, antes de iniciar o planejamento…

…será preciso ter algumas idéias diferentes, para que se possa fazer um plano razoável…

Gestão do conhecimento inclui, como vimos também no exemplo anterior, o dimensionamento correto dos recursos que serão utilizados para adquirir o conhecimento de que necessitamos.